O Bom Pastor

     O Quarto Domingo do Tempo Pascal é chamado, também, de Domingo do Bom Pastor, porque na Liturgia da palavra deste dia é prevista a leitura de um dos trechos do capítulo décimo do Evangelho de São João, em que Cristo se apresenta a si mesmo com o auxílio da metáfora ou da imagem de um pastor de ovelhas. A passagem prevista para este domingo põe seu acento na idéia de segurança e proteção, pois, como diz o texto, “ninguém as poderá arrebatar de mim”, porque não há quem seja mais forte que o Pai que as confiou a Ele, Cristo. Seguir o Pastor, é encontrar o caminho para a vida eterna. Em sua companhia, não há extravio possível, as ovelhas, assim protegidas, não podem perder-se. Mas tudo começa com o olhar cheio de amor e misericórdia do Pastor que pousa sobre a humildade da ovelha. “Eu as conheço”, diz o texto, isto é, eu as olho não com um olhar de indiferença, mas minha visão as abraça com o conhecimento e terna admiração Daquele mesmo que as criou para Si. É preciso deter-se sob o calor e a luz que emanam deste olhar benfazejo de eleição. É preciso experimentar profundamente a doçura de quem lança este olhar, gozar, com alegria, de sua suavidade, conhecendo-o como companheiro, salvador, guia e doce amigo. Então, torna-se fácil seguí-Lo. Atender a seu chamado e estar sempre em sua companhia passa a ser uma exigência do amor. Obedecer a seus preceitos, imitá-Lo não é percebido como um fardo pesado ou uma obrigação constrangedora. O amor faz com que tudo aquilo que é pesado se mostre leve, forte daquela mais clara compreensão de que os preceitos do Senhor são caminhos de vida abundante e seus mandamentos são vias de felicidade e bem-aventurança. Com Ele, é possível chegar às águas tranquilas da eternidade, onde se repousa em seus próprios braços e se deixa para trás, definitivamente, o vale da morte.

D. Luis Alberto O. Cist.